sábado, 18 de fevereiro de 2012

Câmara de Belém propõe lazer na praça a pessoas com deficiência


A Câmara Municipal de Belém aprovou, projeto de lei de autoria do vereador Iran Moraes (Partido dos Trabalhadores) que autoriza a Prefeitura de Belém a equipar praças, parques e áreas de lazer com brinquedos adaptados às crianças portadoras de deficiência motora. Agora caberá ao prefeito Duciomar Costa sancionar o projeto, que será executado pelas secretarias municipais de Educação e Saúde, e ainda a Fundação Papa João XXIII, Funpapa.

Crianças com deficiências requerer cuidados especiais 
Pelo projeto, a prefeitura fica autorizada também a criar parcerias, celebrar convênios e receber doações para fazer cumprir o que determina a lei. As despesas de instalação dos equipamentos correrão por conta de dotação orçamentária suplementar. “Esse projeto vem preencher uma antiga lacuna que era a falta de brinquedos para as crianças que têm deficiência e que precisam contar com esses equipamentos para se desenvolver”, esclareceu o vereador.

Comentando a nova lei acima, temos que fazer uma grande reflexão sobre o assunto. Quando o nosso querido Vereador Iran, faz essa proposta, é importante que se inclua neste contexto, todo um aparato, para que profissionais, que lidam com essas pessoas com deficiência, também tenham condições de exercercer suas atividades no local. Inclusive com salas apropriadas, pois Belém chove muito, acredito que não é só jogar os equipamentos na praça e pronto. Tem que haver um ambiente propício para o desenvolvimento sadio dessas pessoas especiais. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Mil jovens com deficiência foram contratados em 2011, diz Ciee

Por: Amilcar Cabral

Número mais que dobrou em relação ao ano retrasado, segundo entidade que intermedia contato entre empresas e estudantes 15 de fevereiro de 2012 | 20h 52 Estadão.edu

SÃO PAULO - O Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) intermediou no ano passado a contratação de aproximadamente mil jovens com deficiência como estagiários, aprendizes ou celetistas em empresas de todo o País. O número mais que dobrou em relação a 2010.

Empresas com mais de cem funcionários são obrigadas a ter pessoas com deficiência nos seus quadros. Mas a contratação de estagiários não conta para o cumprimento da chamada Lei das Cotas (Lei 8.213/91).

As companhias interessadas na contratação desses jovens podem procurar orientação nas unidades do Ciee ou no site ciee.org.br. Neste mesmo endereço eletrônico, os interessados em estagiar podem se cadastrar gratuitamente.

Após se inscrever no Ciee, o jovem têm a chance de fazer 35 cursos a distância, segundo a entidade, "especialmente formatados para estimular o desenvolvimento de competências pessoais e técnicas dos futuros profissionais".

'Valor social'


Na edição mais recente da revista do Ciee, a Agitação, a entidade publicou matéria em que destaca a importância do estágio considerando a "vulnerabilidade" dos jovens brasileiros de 17 a 24 anos, conformou apontou o relatório Situação da Adolescência Brasileira 2011, da Unicef.

"O estágio propicia uma formação pedagógica completa, ao unir aprendizado teórico e prática profissional. Além disso, proporciona adicionalmente uma renda mensal que contribui para manter o jovem na escola, visto que pode ser utilizada para pagar despesas com o estudo ou até para reforçar o orçamento familiar", diz Luiz Gonzaga Bertelli, presidente executivo do Ciee.

"Isso tudo estimula os jovens a permanecerem na escola, concluírem seus estudos, melhorando assim sua formação e suas condições socioeconômicas, culturais, retirando-os de situações de vulnerabilidade social e inserindo-os em um novo mundo de possibilidades."

Na mesma publicação, a entidade divulgou as organizações vencedoras do prêmio As Melhores Empresas para Estagiar 2011, promovido há seis anos pelo Ciee em parceria com o Ibope Inteligência e a seccional paulista da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP).

Segundo Bertelli, a premiação visa a gerar um "efeito multiplicador" a partir da divulgação dos casos de sucesso em programas de estágio.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mude o seu falar que eu mudo o meu ouvir.


   Caro Leitor, 

   Leia hoje este excelente artigo de Beto Volpe sobre o Livro "Mude o seu falar que eu mudo o meu ouvir.  Acessibilidade - um livro escrito por pessoas com deficiência intelectual".



   " Para a gente ter acesso as pessoas precisam abrir o coração.'

   Quando as pessoas vêm para esta vida com a incumbência de serem especiais, algumas capricham. Em um mundo cada vez mais desinformado, apesar de tanta informação, ler Bia declarando sua preocupação com a falta de informações da sociedade poderia ser mais uma de tantas apreensivas afirmações sobre o futuro de nossa civilização. Mas Bia tem síndrome de Down e ela não escreveu isso em seu blog ou em seu diário, apesar da importância de ambos. Tanto essa passagem como várias outras estão registradas em um livro a ser lançado no próximo dia 21 de março na sede da ONU nos Estados Unidos. Bia, Thiago, Cláudio e os demais jovens da Associação Carpe Diem de São Paulo terão a oportunidade de gritar ao mundo, ao lado de Ban Ki-moon: MUDE SEU FALAR QUE EU MUDO MEU OUVIR !



   Simples assim. Porque o universo das pessoas com Síndrome de Down seria extremamente simples, não fossem as barreiras criadas pela sociedade em todas as áreas de suas vidas, mas especialmente na da comunicação. E o livro trata exatamente disso, de dicas simples para que a informação possa fluir nos dois sentidos, produzindo a sinergia que se espera quando a diversidade co-existe e é valorizada.

 
   Parabéns ao pessoal da Associação Carpe Diem pelo belo trabalho realizado, do qual tenho orgulho de ter participado, mesmo que uma ínfima fração. Parabéns Marta Gil pela inspiração e piração da galera ao plantar a semente desse trabalho, com direito a um belo prefácio. E parabéns, especialmente, a todos esses e essas jovens que decidiram que iriam fazer algo para solucionar um grande problema de comunicação de nossa sociedade e tomaram a atitude de expôr suas vidas em um registro belíssimo e rico em orientações para que possamos cumprir com o objetivo do livro: que nos adaptemos, provocando adaptações.





   O lançamento será por ocasião do Dia Mundial da Síndrome de Down, o primeiro oficial, atendendo a proposta brasileira aprovada por consenso pela Assembleia Geral da ONU em dezembro passado, sendo celebrado no dia 21 de março de todos os anos. Quem se interessar em adquirir a obra pode acessar http://www.carpediem.org.br/si/site/0700 para maiores informações. Apenas para dar água na boca, aí vão algumas pérolas retiradas da obra:






   "O meu grande sonho é que meu pai biológico lesse esse livro. Porque para ele vai ser super importante, para ele saber que eu estou aqui. Espero que esse livro ajude muito meu pai."

Bia 



 
   "...nós com deficiência intelectual, nós somos especiais, mas somos a esperança do futuro e do mundo. ... nós somos a esperança de dar um livro de presente para todos vocês. Ele fala sobre a alma. Ele fala sobre emoção. Esse livro foi alegria para nós... um filho."

Thiago 

 

   "Eu já senti tanto preconceito nas ruas! As pessoas me olham de um jeito estranho e tal. E aí, eu tive coragem de falar com eles. Precisam amar todas as pessoas que têm na vida!"
Cláudio





   É isso aí, galera. Vocês nos passam a sabedoria ancestral de que para mudar é preciso abrir o coração. E não há coração endurecido que não se abra a pessoas... Simples assim.

Beto Volpe



Postado por Adriele Ribeiro




Imagens:
http://migre.me/7W3em
http://migre.me/7W3gk
http://migre.me/7W3hG
http://migre.me/7W3iX


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Aluno carente poderá receber óculos de graça do SUS

Caro Leitor,
Leia hoje esta excelente notícia.



O Projeto de Lei 2997/11, em análise na Câmara, obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a conceder óculos ou aparelhos auditivos a estudantes carentes portadores de deficiência visual ou auditiva. Para ser beneficiado, o estudante deverá estar regularmente matriculado na rede pública de ensino, ter doença ocular ou auditiva identificada mediante diagnóstico realizado na rede pública de saúde e possuir renda mensal familiar inferior a dois salários mínimos.

Ribeiro: O aluno pode ter a capacidade  de aprendizagem
afetada por alguma deficiência auditiva ou visual.

O autor da proposta, deputado licenciado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), lembra que muitas vezes o aluno pode ter a capacidade de aprendizagem afetada por alguma deficiência auditiva ou visual. “Muitos fatores contribuem para o aparecimento dessas deficiências. Podemos citar o ambiente a que esses alunos são expostos, com luz artificial e poluição sonora. Colabora ainda a longa permanência à frente do computador e o uso diário de fones ouvido”, exemplifica.


A Câmara já analisou projeto semelhante a esse (PL 4522/08) que foi arquivado.

Tramitação
O projeto será analisado em conjunto com o PL 1907/11, nas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, em caráter conclusivo.


Postado por: Adriele Ribeiro


Fonte: http://www2.camara.gov.br
Imagens:
http://migre.me/7VDd5
http://migre.me/7VDh6

‎"Obrigado por nos tratar como pessoas normais!!"



Nada mais a falar, o vídeo já diz tudo em menos de 30 segundos!!!






Postado por Adriele Ribeiro

A pessoa com deficiência e sua relação com a história da humanidade - Parte final


   Caro leitor,
   Leia agora a última parte do texto da pesquisadora Maria Aparecida Gurgel*.
   Para que tenha uma melhor compreensão deste texto sugiro que leia a primeira e a segunda parte deste texto. 

 
Surge o BRAILLE

Tabela dos símbolos de Barbier

   No Século XIX, em 1819, Charles Barbier (1764-1841), um capitão do exército francês, atendeu a um pedido de Napoleão e desenvolveu um código para ser usado em mensagens transmitidas à noite durante as batalhas. Em seu sistema uma letra, ou um conjunto de letras, era representada por duas colunas de pontos que por sua vez se referiam às coordenadas de uma tabela. Cada coluna podia ter de um a seis pontos, que deveriam estar em relevo para serem lidos com as mãos. O sistema foi rejeitado pelos militares, que o consideraram muito complicado.

   Barbier então apresentou o seu invento ao Instituto Nacional dos Jovens Cegos de Paris. Entre os alunos que assistiram a apresentação encontrava-se Louis Braille (1809- 1852), então com quatorze anos, que se interessou pelo sistema e apresentou algumas sugestões para seu aperfeiçoamento. Como Barbier se recusou a fazer alterações em seu sistema, Braille modificou totalmente o sistema de escrita noturna criando o sistema de escrita padrão – o BRAILLE – usado por pessoas cegas até aos dias de hoje.

Louis Braille

   O BRAILLE é lido da esquerda para a direita, com uma ou ambas as mãos. Cada célula permite 63 combinações de pontos. Podem-se designar combinações de pontos para todas as letras e para a pontuação da maioria dos alfabetos. Vários idiomas usam o BRAILLE. Pessoas com prática conseguem ler até 200 palavras por minuto.


  O Século XIX, ainda com reflexos das idéias humanistas da Revolução Francesa, ficou marcado na história das pessoas com deficiência. Finalmente se percebia que elas não só precisavam de hospitais e abrigos mas, também, de atenção especializada. É nesse período que se inicia a constituição de organizações para estudar os problemas de cada deficiência. Difundem-se então os orfanatos, os asilos e os lares para crianças com deficiência física. Grupos de pessoas organizam-se em torno da reabilitação dos feridos para o trabalho, principalmente nos Estados Unidos e Alemanha.


  Napoleão Bonaparte determinava expressamente a seus generais que reabilitassem os soldados feridos e mutilados para continuarem a servir o exército em outros ofícios como o trabalho em selaria, manutenção dos equipamentos de guerra, armazenamento dos alimentos e limpeza dos animais. Nasce com ele a idéia de que os ex-soldados eram ainda úteis e poderiam ser reabilitados.

   Essa idéia de reabilitação foi compreendida em 1884 pelo Chanceler alemão Otto Von Bismark, que constitui a lei de obrigação à reabilitação e readaptação no trabalho.

Dom Pedro II

    No Brasil, por insistência do Imperador Dom Pedro II (1840-1889), seguia-se o movimento europeu e era criado o Imperial Instituto dos Meninos Cegos (atualmente Instituto Benjamin Constant), por meio do Decreto Imperial nº 1.428, de 12 de Setembro de 1854. Três anos depois, em 26 de setembro de 1857, o Imperador, apoiando as iniciativas do Professor francês Hernest Huet, funda o Imperial Instituto de Surdos Mudos (atualmente Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES) que passou a atender pessoas surdas de todo o país, a maioria abandonada pelas famílias.

O SÉCULO XX

   O Século XX trouxe avanços importantes para as pessoas com deficiência, sobretudo em relação às ajudas técnicas ou elementos tecnológicos assistivos. Os instrumentos que já vinham sendo utilizados - cadeira de rodas, bengalas, sistema de ensino para surdos e cegos, dentre outros - foram se aperfeiçoando. A sociedade, não obstante as sucessivas guerras, organizou-se coletivamente para enfrentar os problemas e para melhor atender a pessoa com deficiência.

   Por volta dos anos de 1902 até 1912, cresceu na Europa a formação e organização de instituições voltadas para preparar a pessoa com deficiência. Levantaram-se fundos para a manutenção dessas instituições, sendo que havia uma preocupação crescente com as condições dos locais aonde as pessoas com deficiência se abrigavam. Já começavam a perceber que as pessoas com deficiência precisavam participar ativamente do cotidiano e integrarem-se na sociedade.
  
  Na literatura infantil, por exemplo, discutia-se o futuro das crianças desamparadas. O livro de J.M. Barrie, com o tema de Peter Pan, o menino que não queria crescer, inspirou peças teatrais, assim como os movimentos sociais de 1904. Em Londres realizou-se a Primeira Conferência sobre Crianças Inválidas, tendo como tema principal a integração na sociedade das crianças institucionalizadas. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, na cidade de Saint Louis, organizou-se o primeiro Congresso Mundial dos Surdos para discutir os métodos de comunicação por sinais e o do oralismo.

Peter Pan

   Na Alemanha, nos anos seguintes, fez-se o primeiro censo demográfico de pessoas com deficiência, com o objetivo de organizar o Estado para melhor atender as pessoas com deficiência.


   Nos Estados Unidos, realizou-se a Primeira Conferência da Casa Branca sobre os Cuidados de Crianças Deficientes e, na cidade de Boston, em 1907, a Goodwill Industries organizou as primeiras turmas de trabalho protegido de pessoas com deficiência nas empresas.

  Em 1914 o Império Alemão declara guerra. O período da Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, em que os Impérios Alemão, Austro-Húngaro e Turco-Otomano batiam-se contra o Império Britânico, França, Rússia e ao final os Estados Unidos, foram anos de muita arestia no mundo. As mulheres puseram-se a trabalhar para sustentar a família enquanto os maridos estavam na guerra. As crianças com e sem deficiência ficavam em abrigos.

Declaração de guerra do Império Alemão, em 1914

   Mesmo com o fim da Primeira Grande Guerra os conflitos políticos continuaram e os países estavam em crise financeira. No entanto, era necessário que os governos se preocupassem com o desenvolvimento de procedimentos reabilitação dos ex-combatentes, melhorando a reabilitação dos jovens veteranos.


   Somente em 1919, com o Tratado de Versailles, é consolidada a paz, embora não tenha sido duradoura, e é criado um importante organismo internacional para tratar da reabilitação das pessoas para trabalho no mundo, inclusive das pessoas com deficiência: a Organização Internacional do Trabalho. OIT - Organização Internacional do Trabalho

   Imediatamente ao pós-guerra, a sociedade civil atenta e preocupada com os problemas sociais em curso, organizou-se para buscar soluções de melhorar os mecanismos de reabilitação. A primeira organização a se constituir foi a Sociedade Escandinava de Ajuda a Deficientes, atualmente conhecida como Rehabilitation Internacional. Outras se seguiram ao longo do Século XX. 

  Em 1929 teve início um período de crise econômica mundial - a Grande Depressão -, com altas taxas de desemprego e queda do produto interno bruto de diversos países europeus, Estados Unidos e Canadá.

   O 32º Presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, em 1933, com o programa político New Deal, atrelado a assistência social, ajudou a minimizar os efeitos da Depressão. Roosevelt que era paraplégico, embora não gostasse de ser fotografado em sua cadeira de rodas, contribuiu para uma nova visão da sociedade americana e mundial de que a pessoa com deficiência, com boas condições de reabilitação, pode ter independência pessoal. Ele foi um exemplo seguido por muitos americanos com deficiência que buscavam vida independente e trabalho remunerado.

Roosevelt

   A Segunda Guerra Mundial, ocorrida de 1939 a 1945, liderada pelo alemão Hitler, assolou e chocou o mundo pelas atrocidades provocadas. Sabe-se que o Holocausto eliminou judeus, ciganos e também pessoas com deficiência. Estima-se que 275 mil adultos e crianças com deficiência morreram nesse período e, outras 400 mil pessoas suspeitas de terem hereditariedade de cegueira, surdez e deficiência mental foram esterilizadas em nome da política da raça ariana pura.


  O triste desfecho da guerra, quando os Estados Unidos lançaram bombas nucleareas sobre Hiroshima e Nagasaka, foi devastador e matou 222 mil pessoas, deixando seqüelas nos sobreviventes civis.

O cogumelo atômico após o lançamento da bomba do avião Enola Gay


   Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo precisou se reorganizar. A Europa estava devastada, assim como os países aliados porque enviaram tropas para derrotar Hitler. As cidades exigiam reconstrução, as crianças órfãs precisavam de abrigo, comida, roupas, educação e saúde. Os adultos sobreviventes das batalhas têm seqüelas e precisam de tratamento médico e reabilitação.

   Com a Carta das Nações Unidas, criou-se a Organização das Nações Unidas – ONU, no ano de 1945 em Londres, visando encaminhar com todos países membros as soluções dos problemas que assolavam o mundo. Os temas centrais foram divididos entre as agências:

   ENABLE – Organização das Nações Unidas para Pessoas com Deficiência
  UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura 

  UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a Infância OMS - Organização Mundial da Saúde 

   Em 1948, a comunidade internacional se reúne na nova sede da ONU, em Nova York, jurando solenemente nunca mais produzir as atrocidades como aquelas cometidas durante a Segunda Guerra Mundial. Os dirigentes mundiais decidem então reforçar a Carta das Nações Unidas, declarando em um só documento todos os direitos de cada pessoa, em todo lugar e tempo. Nasce a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

  Declaração Universal dos Direitos do Homem Artigo 1º: Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

  No artigo 25 há menção expressa à pessoa com deficiência, designada de “inválida”

  Artigo 25 em relação à pessoa com deficiência:

1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.


   É nesse tempo de reconstrução que as instituições voltadas para as pessoas com deficiência se consolidaram em todos os países, principalmente buscando alternativas para sua integração social e aperfeiçoamento das ajudas técnicas para pessoas com deficiência física, auditiva e visual.



   "The Paycheck," (O contracheque) Desenho de Norman Rockwell, década de 1950 - O trabalhador, usuário de cadeira de rodas, vestido com roupas de trabalho e carregando uma marmita, sorri feliz levando em uma das mãos seu contracheque. A outra mão gira rápido as rodas da cadeira de forma a levantar poeira, representada sob as rodas.



   A sociedade mundial continuou com seus propósitos de evoluir e assim fez porém, marcada pela Guerra do Vietnã (EUA X Vietnã), que durou de 1959 a 1975. Nesse período muitas novas técnicas de guerra foram experimentadas, como as bombas químicas. Os movimentos pacifistas se intensificavam a pregação de paz no mundo.

   Realizaram-se os primeiros jogos para atletas com deficiências, organizados nos moldes dos Jogos Olímpicos, em Roma em 1960, e ficaram conhecidos como Jogos Paralímpicos.
 

Postado por Adriele Ribeiro


*GUGEL, Maria aparecida Gugel. Pessoas com Deficiência e o Direito ao Trabalho. Florianópolis : Obra Jurídica, 2007.
SILVA, Otto Marques da. A Epopéia Ignorada : A pessoa Deficiente na História do Mundo de Ontem e de Hoje. São Paulo : CEDAS, 19
Fonte:http://www.ampid.org.br/

A pessoa com deficiência e sua relação com a história da humanidade - Parte 2

   Caro leitor,
   Leia hoje a segunda parte do texto “A pessoa com deficiência e sua relação com a história da humanidade” da pesquisadora Maria aparecida Gugel*.

   Para que tenha uma melhor compreensão deste texto sugiro que leia a primeira parte.

Idade Moderna

   A Idade Moderna marcou a passagem de um período de extrema ignorância para o nascer de novas idéias. Ela ocorreu do ano de 1453 (Século XIV), quando da tomada de Constantinopla pelos Turcos otomanos, até 1789 (Século XVIII) com a Revolução Francesa. O período mais festejado é o que vai até o Século XVI, com o chamado Renascimento das artes, da música e das ciências, pois revelaram grandes transformações, marcada pelo humanismo.


Métodos de omunicação para pessoas surdas

   Gerolamo Cardomo (1501 a 1576), médico e matemático inventou um código para ensinar pessoas surdas a ler e escrever, influenciando o monge beneditino Pedro Ponce de Leon (1520-1584) a desenvolver um método de educação para pessoa com deficiência auditiva, por meio de sinais. Esses métodos contrariaram o pensamento da sociedade da época que não acreditava que pessoas surdas pudessem ser educadas.

Gerolamo Cardomo
   Gerolamo Cardomo, matemático e inventor de um método para ensinar pessoas surdas a ler e escrever.


Pedro Ponce de Leon
    Pedro Ponce de Leon, cria método de sinais para ensinar pessoas surdas. Na foto um monumento a Pedro Ponce de Leon com Juan Pablo Bonet por Manuel Iglesias Lecio, 1920, nos Jardines de Buen Retiro em Madri, Espanha.

Juan Pablo Bonet
    Em 1620 na Espanha, Juan Pablo Bonet (1579-1633), escreveu sobre as causas das deficiências auditivas e dos problemas da comunicação, condenando os métodos brutais e de gritos para ensinar alunos surdos. No livro Reduction de las letras y arte para ensenar a hablar los mudos, Pablo Bonet demonstra pela primeira vez o alfabeto na língua de sinais.

   Na Inglaterra John Bulwer (1600 a 1650), defendeu um método para ensinar aos surdos a leitura labial, além de ter escrito sobre a língua de sinais.

    Língua de sinais apresentada por Pablo Bonet em seu livro Reduction de las letras y arte para ensenar a hablar los mudos.

Método cirúrgico para amputações:
Ambroise Paré
   Ambroise Paré (1510-1590), médico francês do Renascimento, atendia no campo de batalha e se dedicou a encontrar a cura para os ferimentos de guerra que causavam amputações. Aperfeiçoou os métodos cirúrgicos para ligar as artérias, substituindo as cauterizações com ferro em brasa e com azeite fervente. Foi grande a sua contribuição na criação de próteses.


Morte por afogamento às pessoas com deficiência mental:
Lutero
   No Século XV o Príncipe de Anhalt, na Alemanha saxônica, desafiou publicamente o reformador religioso Martinho Lutero, não cumprindo sua ordem de afogar crianças com deficiência mental. Lutero afirmava que estas pessoas não possuíam natureza humana e eram usadas por maus espíritos, bruxas, fadas e duendes.

Poetas, físicos, matemáticos e astrônomos com deficiência
Camões
    Luís de Camões (1524 a 1580), o poeta de Os Lusíadas, perdeu a visão de um dos olhos, em batalha no Marrocos. 

Jhon Milton
    John Milton (1608-1674), um dos maiores poetas ingleses era cego e com o apoio de escriba e ledor, escreveu várias obras, dentre elas Paraíso Perdido.

Galileo Galilei
   Galileo Galilei, físico, matemático e astrônomo, em conseqüência de seu reumatismo, ficou cego nos últimos anos de sua vida mas, ativo em suas pesquisas científicas. Situação semelhante foi vivida pelo astrônomo alemão Johannes Kepler (1571 a 1630), que tinha deficiência visual e desenvolveu estudos sobre o movimento dos planetas.

As primeiras cadeiras de rodas

  Século VI: 1a. imagem de uma cadeira de rodas escavada em pedra em um sarcófago na China.

   Século XVI: Rei Felipe II da Espanha usou uma cadeira bem elaborada com descanços móveis para braços e pernas

   Stephen Farfler era paraplégico e em 1655, na Alemanha, construiu uma cadeira de rodas para se locomover. Era feita em madeira, com duas rodas atrás e uma na frente, acionada por duas manivelas giratórias.

   Cadeira de Bath, Inglaterra, inventada por John Dawson, 1783.

   Século XVIII: Cadeira reclinável, pés ajustáveis "em busca de conforto".

  Século XIX, XX: Após a Guerra Civil Americana e a 1a. Guerra Mundial: cadeiras eram construídas de madeira, assentos de palha, apoios ajustáveis para braços e pés.


   1952: Início das competições entre cadeirantes, no Centro de Reabilitação de Stoke Mandeville, Inglaterra.
   1964: Realização dos primeiros Jogos Para-olímpicos em Tokyo, Japão.

   1932: Everest e Jennings projetaram a 1a. cadeira dobrável. Eles fundaram a empresa Everest & Jennings.
   1950: Everest & Jennings desenvolveram a 1a. Cadeira motorizada.

   Durante os séculos XVII e XVIII houve grande desenvolvimento no atendimento às pessoas com deficiência em hospitais. Havia assistência especializada em ortopedia para os mutilados das guerras e para pessoas cegas e surdas.


  Philippe Pinel (1745-1826) explicou que pessoas com perturbações mentais devem ser tratadas como doentes, ao contrário do que acontecia na época, quando eram trados com violência e discriminação.

  No quadro, Pinel liberta doentes mentais acorrentados.

Caro leitor, sugiro que leia ainda a última parte deste texto

Postado por Adriele Ribeiro


*GUGEL, Maria aparecida Gugel. Pessoas com Deficiência e o Direito ao Trabalho. Florianópolis : Obra Jurídica, 2007.
SILVA, Otto Marques da. A Epopéia Ignorada : A pessoa Deficiente na História do Mundo de Ontem e de Hoje. São Paulo : CEDAS, 19
Fonte:http://www.ampid.org.br/